A CEIA
A família chegou ao supermercado e logo se dividiu. O menino foi direto à seção de iogurtes. Pegou um Danoninho na mão, abriu ali mesmo e foi comendo pelo caminho, usando o dedo como colher. A irmã, que aparentava uns seis anos, no máximo, também não perdeu tempo. Foi logo ao corredor de salgadinhos, pegou uma batatinha Chips e abriu a embalagem em busca do vale-brinde. Como não fora agraciada pelo destino, abriu outro pacote e depois mais um. Mas, como é feio jogar comida fora, ela aproveitou e comeu os três: a menina era bastante robusta.
A mãe, que à distância observava o comportamento dos filhos, deu um grito que metade do supermercado ouviu:
— Crianças! Cuidado para não engasgar — e virou as costas, indo na direção da padaria.
A baguete havia acabado de sair do forno, ainda estava quente. A mulher então pegou duas, com gergelim. Provou um pedaço do pão e depois lambeu os dedos, onde havia ainda resquícios de gergelim. Foi encontrar-se com o marido na seção de frios e lacticínios.
Além do marido, o filho também estava lá – agora saboreando um Polenguinho. O marido, assim que viu a esposa, foi logo dizendo:
— Já peguei dois quilos de frios fatiados.
Mas nem deu tempo de ele acabar de falar, a menina já tirava o pacote de sua mão, e, com a ajuda da mãe, começava a preparar os sanduíches. O primeiro baguete foi consumido em menos de três minutos, regado a muita cerveja em lata e refrigerante para as crianças. A menina tomou Coca light para não engordar.
— Está faltando mostarda! — reclamou o pai, limpando a boca com a manga da camisa.
— E catchup! — completou a menina, ainda mastigando.
Foram todos pegar os molhos, porque não existe nada pior do que sanduíche sem molho. A menina fez um caminho diferente, chegando ao corredor da mostarda com dois minutos de atraso. Mas, para compensar, trazia um saquinho de amendoim japonês pra dar uma quebrada na mortadela.
A segunda baguete durou menos que a primeira. Foi acompanhada de azeitonas pretas e cebolinhas, que tinham acabado de chegar.
De sobremesa, a menina pegou uma caixa de Sonho de Valsa, enquanto a mãe saboreava umas frutas. Todos se dirigiram ao caixa. A menina acabou o último bombom já na fila. A mãe cuspiu os caroços no chão.
Quando finalmente chegaram ao caixa, o gerente, que observava tudo, perguntou com toda ironia:
— Vocês não vão levar nada?
— Quatro sal de frutas, por favor — disse o pai.
Aglumas crônicas do livro:
A CEIA
O MESTRE
MOISÉS E CHAPEUZINHO VERMELHO
O SEQÜESTRÁVEL
O SÍNDICO
PAMONHA, PAMONHA, PAMONHA