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O caranguejo de Notre Dame Clemêncio e Zuleica

O caranguejo de Notre Dame - Crônicas 
Sérgio Tannenbaum

Clemêncio & Zuleica 
Rocky

136 páginas

96 páginas -Miolo em preto & branco

O cotidiano de pessoas que são velhas conhecidas: o mecânico pilantra, a vizinha curiosa, o vendedor de pamonhas. Estes são alguns dos personagens das hilariantes crônicas deste livro. É como se estivéssemos revivendo nossas próprias histórias, contadas entre amigos numa mesa de bar. Seleção das melhores tiras envolvendo este divertido casal. Eles acabaram de comprar um microcomputador. As suas experiências, sustos e descobertas são retratadas com humor e irreverência. Temas como internet, multimídia, hardware e software são abordados de forma simples e direta.

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O PREMIADO



Numa noite chuvosa de sábado, eu e a esposa resolvemos ficar em casa. Saí apenas para
pegar uns vídeos na locadora. Ela ficou em casa esperando, carente. Fui pegar um filme erótico para nos fazer companhia.

Na entrada da locadora, uma faixa anunciava uma sensacional promoção: "Ganhe uma fita
grátis...". Não dei muita atenção. A locadora estava lotada. Tinha gente em todo canto,
pegando as fitas na mão, lendo qualquer coisa no verso e recolocando de volta no lugar
(errado). Os filmes pornográficos ficavam no fundo do salão, cercados, por um lado, de filmes infantis e, por outro, de terror.

Para não chamar a atenção, fingi que estava olhando as fitas para crianças. Pegava uma na mão enquanto virava levemente a cabeça e via a prateleira dos filmes eróticos. Colocava a fita de volta e pegava outra, como se estivesse escolhendo. Com a preocupação de ver os filmes da prateleira ao lado, não reparei que não estava encaixando os filmes infantis de volta corretamente. Assim, eles foram caindo no chão. Já devia ter uns quinze deles esparramados, quando a mocinha da locadora se aproximou por trás e me cutucou. Levei um susto enorme. Meu coração disparou. "Me descobriram", pensei.

— O senhor está derrubando os filmes no chão — disse a mocinha.

— Foi sem que-querer. Eles de-devem estar com de-defeito.

— Tome mais cuidado, por favor — disse ela, recolocando as caixinhas no lugar.

— Fique tran-tranqüila.

Peguei duas fitas infantis para disfarçar: Se meu fusca falasse e A volta do fusca falante. Fui, então, aos filmes de terror, usando a mesma estratégia. Enquanto pegava alguns, olhava lateralmente para a prateleira de pornográficos. Peguei um ao acaso. E, para disfarçar ainda mais, apanhei três fitas de terror: Sexta-feira, 13, partes 3, 5 e 7. Prefiro os ímpares.

Antes de levar os filmes ao guichê, empilhei-os na ordem que me pareceu a mais natural
possível. Coloquei o filme pornográfico após os de terror e antes dos infantis. Só então reparei seu nome: As vagabundas na ilha da sacanagem.

Entreguei os filmes no guichê, juntamente com minha carteira de sócio. A mocinha passou a
caneta ótica sobre a carteirinha e apareceu meu nome na tela do computador. Em seguida, foi passando a caneta nas caixinhas dos filmes, e seus títulos também foram aparecendo na tela. Na hora em que passou pela fita pornográfica, apareceu o nome As vagabundas na ilha da sacanagem no vídeo e depois se ouviu um "bip". Fiquei preocupado. De repente, meu nome começou a piscar na tela do computador. Entrei em pânico.

Isso ainda não era nada.

Uma sirene tocou, fazendo um barulho ensurdecedor. Um holofote se acendeu no teto, sobre mim. Uma voz no alto-falante anunciou: "Você ganhou! Parabéns! Você ganhou!"

As mocinhas saíram de trás do balcão e vieram me cumprimentar, formando uma pequena fila. Todos os clientes da locadora – todos – se viraram para mim e começaram a me aplaudir. Vi minha cara de bobo no telão gigante da parede.

Isso não foi tudo.

De repente, surgiu, bem na minha frente, um palhaço vestido de smoking, com um microfone na mão, acompanhado de uma bandinha com quatro músicos.

— Qual o seu nome? — ele me perguntou, enquanto a bandinha tocava.

Como não respondi nada, ele olhou na tela do computador e anunciou: "O senhor Sérgio é o
nosso milésimo cliente. Ele acaba de ganhar um filme de graça."

— Qual filme você ganhou? — perguntou o palhaço.

Não respondi. Comecei a chorar. Então, ele pegou As vagabundas... na mão e anunciou:

"O senhor Sérgio ganhou As vagabundas na ilha da sacanagem. Meus parabéns!"




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